O curta-metragem “Mapago”, dirigido por Marcus Teles e roteirizado por Gleycielli Nonato Guató, conquistou o Prêmio Uno Mato de melhor filme produzido entre os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul no 23º Festival de Cinema de Cuiabá, o CineMATO, na noite de domingo (05/07). A obra, produzida no interior de Mato Grosso do Sul a partir das vivências do povo Guató, segue em circulação nacional com exibições confirmadas no Bonito CineSur, ainda este mês, e no Festival Guarnicê de Cinema, em São Luís, no Maranhão, em agosto.
Uma história de resistência indígena na cidade
O filme acompanha Fagunda, uma mulher Guató que vive longe de seu território ancestral, e sua filha Serena, artista que encontra no funk e no hip hop caminhos para afirmar a identidade indígena na cidade. As duas personagens são vividas pelas próprias Gleycielli Nonato Guató e Serena MC, mulheres indígenas Guató que também habitam contextos urbanos fora das telas. O roteiro nasceu das experiências pessoais da roteirista, e a premiação chegou na estreia do filme em festival.
Do interior do interior para festivais nacionais
Para o diretor Marcus Teles, o reconhecimento vai além do campo artístico. “Somos uma produção do interior do interior, sem distribuidora e sem a estrutura que normalmente acompanha grandes produções. Ver Mapago alcançar festivais importantes e compartilhar espaço com obras vindas de centros que já possuem uma cadeia cinematográfica consolidada é, por si só, uma grande vitória. Mais do que uma conquista para o filme, é a prova de que histórias produzidas a partir dos territórios indígenas e do interior do Brasil também têm força, qualidade e relevância para dialogar com públicos de todo o país”, afirmou. Teles destacou ainda o caráter simbólico da estreia. “Mato Grosso e Mato Grosso do Sul são os dois estados que concentram a presença histórica e contemporânea do povo Guató. Apresentar o filme pela primeira vez em Mato Grosso, um dos territórios que guardam a memória e a ancestralidade desse povo, é algo profundamente simbólico”, disse.
Indígenas como protagonistas de suas próprias histórias
Para a roteirista Gleycielli Nonato Guató, o maior legado do filme está em permitir que os próprios indígenas narrem suas histórias. “Quando eu era criança, eu não me via em filmes, eu não me via em literatura, não me via na arte. Hoje nós temos a oportunidade de falar por nós na literatura, no cinema, na arte. Hoje nós temos a oportunidade de ser protagonistas de nossas próprias histórias e Mapago traz isso”, afirmou. A roteirista definiu o filme a partir de sua força central. “O filme Mapago foi feito com essa força ancestral dentro do contemporâneo. São mulheres de periferia, são mulheres que sofrem com a desculturalização da sua cultura, perder e tentar manter a cultura ao mesmo tempo. Isso dá a força dessa linha de que nós podemos ser indígenas em qualquer lugar, no asfalto ou na mata”, concluiu. O projeto conta com incentivo do Programa Nacional Aldir Blanc.
Com informações: Assessoria



