O governo da China anunciou a aplicação de uma sobretaxa de 55% sobre os volumes de carne bovina importados que ultrapassarem a cota estabelecida para o Brasil, e a medida atinge o principal comprador da proteína animal produzida no país. A cota concedida ao Brasil soma 1,106 milhão de toneladas, valor que representa 44% do total distribuído pela China entre os países exportadores, e o esgotamento desse limite já provoca reações entre autoridades do governo federal, parlamentares e representantes do setor produtivo.
A dimensão da medida chinesa
A China ocupa a posição de maior importador mundial de carne bovina, e o mercado chinês responde por cerca de 50% das compras externas de carne produzida no Brasil. A sobretaxa passa a incidir sobre os embarques que excederem a cota, e o novo patamar tarifário chega a 67%, conforme apontam representantes do setor exportador.
A resposta do governo brasileiro
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, minimizou o impacto imediato da medida e destacou o trabalho de abertura de novos mercados realizado pelo governo. Segundo o ministro, em declaração à Sociedade Nacional de Agricultura: “Ainda que a China represente 50% das nossas compras de carne, de modo geral, não é algo tão preocupante, porque nós trabalhamos muito para a ampliação dos mercados, abrimos 20 mercados para a carne bovina por todo o mundo.” Fávaro também mencionou que o Brasil recebeu a maior cota entre todos os países habilitados a exportar carne bovina para o mercado chinês, e interpretou o volume concedido como reconhecimento da relevância do país para o abastecimento da China.
Críticas da oposição
O senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, atribuiu a sobretarifação a uma falha nas negociações conduzidas pelo governo federal. Em declaração publicada pelo Poder360, o senador afirmou: “O governo Lula falhou nas negociações que visavam evitar a sobretaxa da China.” E acrescentou: “Será que o Lula também vai dizer que eu sou responsável pelas tarifas da China?” A crítica do senador concentrou-se na condução diplomática das tratativas comerciais entre Brasília e Pequim.
A avaliação do setor exportador
O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, Roberto Perosa, classificou o novo patamar tarifário como inviável para o comércio entre os dois países. Em entrevista ao UOL Economia, Perosa declarou:“A tarifa passa para 67%, que é um valor impraticável.” Perosa alertou ainda que os embarques brasileiros para a China tendem a ser suspensos após o esgotamento da cota, e essa suspensão deve permanecer até que compradores chineses aceitem arcar com a nova carga tributária.
A visão de especialistas
O economista Carlos Cogo, ouvido por parlamentares das comissões de agricultura da Câmara e do Senado, avaliou que a tarifa compromete a viabilidade comercial entre Brasil e China. Segundo Cogo, em declaração ao Notícias Agrícolas: “Uma tarifa de 55% tornaria o comércio da maioria dos produtos para o mercado chinês inviável.” Essa avaliação passou a integrar os debates sobre a necessidade de diversificação dos destinos das exportações brasileiras de carne bovina.
Posições que emergem no Congresso
As primeiras manifestações parlamentares sobre o tema indicam três linhas de interpretação. Parlamentares governistas atribuem a medida a uma política interna chinesa de proteção à pecuária local, e defendem a ampliação de mercados sem o rompimento do diálogo com Pequim. Parlamentares de oposição atribuem parte do problema à atuação diplomática do governo brasileiro, e apontam falhas na negociação das cotas junto à China. Já parlamentares ligados ao agronegócio, independentemente do alinhamento político, convergem na defesa da abertura de novos mercados para reduzir a dependência das exportações brasileiras em relação ao mercado chinês.
Integrantes da bancada ruralista têm defendido, em entrevistas concedidas à imprensa especializada, a aceleração da abertura de mercados consumidores, o fortalecimento das negociações diplomáticas com a China, a redução da dependência do mercado chinês e a ampliação dos acordos comerciais com outros países.



