O Governo do Estado de Mato Grosso do Sul lançou nesta sexta-feira (03/07), no Bioparque Pantanal, em Campo Grande, as ações estaduais de afroturismo e os resultados do Programa Rotas Negras, iniciativa federal do Ministério da Igualdade Racial voltada à valorização da cultura afro-brasileira por meio do turismo. O evento reuniu representantes de municípios, empreendedores, comunidades tradicionais e profissionais do setor, e incluiu a exibição do documentário Pantanal Negro, obra que narra a presença negra na construção histórica e cultural de Corumbá.
A agência que abriu o caminho
A Bela Oyá Pantanal, primeira agência de afroturismo do estado, é reconhecida pelo Ministério da Igualdade Racial entre as dez melhores iniciativas do país pelo Prêmio Rotas Negras. Sua idealizadora, Thayná Cambará, também assina a idealização, a direção artística e a produção executiva do documentário Pantanal Negro. “Foi esse território que me transformou. E quando ele nos transforma, temos duas escolhas: guardar essa experiência ou compartilhá-la com o mundo. Eu sempre pedi para ser mensageira, e não passageira. A Bela Oyá nasceu dessa escolha, da partilha, do desejo de compartilhar esse território, essas histórias e essa ancestralidade com outras pessoas”, afirmou.
O próximo passo: transformar memória em produto turístico
O diretor-presidente da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul, Bruno Wendling, apontou o caminho que o estado pretende seguir. “O próximo passo é ampliar esse trabalho e estruturar produtos turísticos. O turismo vende experiências e emoções. Agora é hora de transformar esse patrimônio em experiências, ampliar a oferta de serviços e atrair mais visitantes para Mato Grosso do Sul”, disse. Wendling lembrou que o movimento teve início há cerca de quatro anos, quando a Fundação de Turismo conheceu o trabalho da Bela Oyá. “A oportunidade apresentada pela Thayná despertou um olhar que ainda não existia dentro da Fundação. A partir dali começamos a fortalecer esse segmento e hoje o afroturismo já ocupa um lugar central dentro das políticas de promoção e estruturação do turismo em Mato Grosso do Sul”, acrescentou.
Ancestralidade como política pública
Para a coordenadora de Articulação Interfederativa da Secretaria de Gestão do Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial, Melina de Lima, o estado guarda um patrimônio que precisa ser reconhecido como parte fundamental da identidade brasileira. “Antes mesmo da criação do Estado, povos de terreiro e comunidades quilombolas já ocupavam esse território. Essa riqueza ancestral faz de Mato Grosso do Sul um grande exemplo”, afirmou. Ela destacou ainda o papel do documentário dentro do programa federal. “Esse documentário evidencia histórias que sempre existiram, mas que muitas vezes permaneceram invisíveis. O Rotas Negras nasce justamente para reconhecer, valorizar e fomentar essas iniciativas”, disse.
Um documentário como legado
O filme Pantanal Negro, dirigido por Adriana Farias e Maxwell Polimanti, acompanha personagens que revelam como espiritualidade, memória e pertencimento seguem vivos nas comunidades pantaneiras. Para o subsecretário de Políticas Públicas para Promoção da Igualdade Racial da Secretaria de Estado da Cidadania, Deividson Silva, a obra abre caminhos. “Pantanal Negro registra uma narrativa que durante muito tempo permaneceu invisibilizada e mostra a riqueza da cultura negra e quilombola presente em Mato Grosso do Sul. É um legado que inspira novas produções e amplia o reconhecimento da nossa diversidade”, destacou. O promotor de Justiça Marcos André Sant’Ana Cardoso, coordenador do Núcleo da Igualdade Racial do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, vê na obra um instrumento de combate ao preconceito. “O filme revela a beleza, a força, a resistência e a história das pessoas de religiões de matriz africana. Mesmo diante da discriminação e do preconceito, a fé permanece mais forte”, concluiu.
Com informações: Assessoria



