A artista visual Sara Welter, conhecida como Syunoi, lança no próximo dia 3 de julho (sexta-feira), a partir das 17h, a cartilha “Resquícios do Tempo: Complexo Ferroviário”, no Casarão Thomé, na Rua 14 de Julho, 3.169, no bairro São Francisco, em Campo Grande. A publicação, produzida ao longo de seis meses de pesquisa, desenho e diagramação, reúne a trajetória de 12 locais ligados à antiga Estrada de Ferro Noroeste do Brasil e será distribuída gratuitamente para escolas, bibliotecas e instituições culturais, com exemplares em braille. O evento de lançamento é gratuito e aberto ao público.
Trilhos, ruínas e memória em nanquim e carvão
A cartilha apresenta ilustrações produzidas em nanquim e carvão de espaços como o próprio Casarão Thomé, a Estação Ferroviária, a Casa da Chefia, a Casa dos Empregados, a Caixa D’Água da NOB, a antiga baldeação para Ponta Porã e vagões abandonados que permanecem como testemunhas de uma época central para o desenvolvimento da região. O Complexo Ferroviário da antiga Noroeste do Brasil é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e considerado um dos principais marcos da formação econômica e social da capital sul-mato-grossense.
“O objetivo do projeto Resquícios do Tempo é cada vez se ampliar mais com arte e história por vários lugares do Mato Grosso do Sul e do Brasil. Nessa segunda edição, a intenção é contar a história do Complexo Ferroviário de Campo Grande e também mostrar a imensidão da NOB, que passa por todo o estado, trazendo novas visões sobre essa temática”, afirma Sara.



A estética da passagem do tempo
As ilustrações carregam contrastes e detalhes que traduzem visualmente o abandono e o desgaste dos espaços retratados. “Todo o projeto Resquícios fala muito desse abandono, desse lugar antigo do qual sobraram apenas restos e histórias. A própria estética dos desenhos traz isso, com muito contraste, detalhes e essa sensação de desgaste do tempo”, descreve a artista.
Uma noite entre linguagens
A programação do lançamento reúne exposição dos desenhos originais da cartilha, palestra do historiador José Augusto Carvalho dos Santos, chefe da Divisão Técnica do IPHAN em Mato Grosso do Sul, intervenção cênica do espetáculo “Miragens do Asfalto”, do Teatro Imaginário Maracangalha, e show da banda Alien Sputnik. Durante a apresentação do trio, um video mapping de Natacha Ik ocupará as paredes do Casarão Thomé com imagens de video-performance da artista Madu Flores, com filmagens de Eduardo Marques e da própria Sara Welter.
Arte, acesso e educação patrimonial
Além da distribuição gratuita, o projeto prevê a realização de oficinas educativas em escolas municipais, utilizando a cartilha como ferramenta de educação patrimonial. “Contar a história da cidade e torná-la acessível para a população é fundamental. Sabemos o quanto a ferrovia influenciou a construção do que é ser campo-grandense e sul-mato-grossense”, destaca Sara.
O projeto conta com investimento da Política Nacional Aldir Blanc, do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura, e é executado pela Prefeitura de Campo Grande por meio da Fundação Municipal de Cultura (Fundac).
Com informações: Assessoria



