O Festival da Juventude 2026 transforma a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul em espaço de formação artística entre os dias 26 e 28 de março. A programação reúne oficinas de literatura, cinema, tecnologia, atuação, poesia falada e mediação de leitura. Todas as atividades têm acesso gratuito.
O evento ocorre no Complexo Multiuso Dercir Pedro de Oliveira e no Auditório Marçal de Souza Tupã-Y, na UFMS. As oficinas possuem vagas limitadas e oferecem certificação mediante frequência mínima.
Proposta coloca jovens no centro da criação
O festival amplia a programação e propõe processo de criação para o público jovem. A iniciativa organiza oficinas e apresentações e transforma o espaço universitário em ambiente de experimentação artística e formativa.
Para Febraro de Oliveira, produtor e curador do festival, a formação compõe a estrutura do evento. “A programação formativa foi pensada como eixo estruturante do Festival da Juventude, não ficando apenas como atividade complementar. Entendemos que juventude não é apenas fruição cultural, mas também produção de conhecimento e criação de repertório. As oficinas foram desenhadas para oferecer ferramentas concretas que ampliem a autonomia dos participantes. Pensamos cada proposta a partir da pergunta: que tipo de mundo essa juventude pode construir se tiver acesso a meios, linguagem e escuta qualificada?”.
A programação reúne linguagens diversas e articula literatura, cinema, tecnologia, atuação e poesia falada.
Febraro explica o critério da seleção das atividades. “O critério foi reconhecer que a juventude é atravessada por múltiplas linguagens simultaneamente. Ela escreve, filma, performa, programa, edita, cria memes. Não há compartimentos estanques. São linguagens distintas, mas conectadas pela ideia de autoria, presença e participação ativa”.
Oficinas assumem função pedagógica
As oficinas também assumem função pedagógica dentro da proposta do festival. O número de vagas permite acompanhamento dos participantes e troca entre os grupos.
“Oferecer formação estruturada é reconhecer o festival como espaço de responsabilidade pedagógica. As vagas limitadas garantem qualidade de acompanhamento e troca efetiva. A certificação reconhece o percurso formativo como parte da trajetória dos jovens. O festival deixa de ser apenas evento e se torna experiência que deixa rastro”, afirma Febraro.
O produtor resume a proposta formativa do evento. “As oficinas transformam o festival de palco em laboratório. Enquanto os shows oferecem inspiração e visibilidade, as oficinas oferecem processo e aprofundamento. Elas deslocam o jovem da posição de espectador para a de criador”.
Escrita criativa propõe olhar etnográfico para a ficção
Entre as atividades está a Oficina de Escrita Criativa ministrada por Monique Malcher, vencedora do Prêmio Jabuti. A proposta utiliza a etnografia como ferramenta para a ficção.
A autora propõe observar o cotidiano e escutar as pessoas como parte do processo de escrita. “Para fazer ficção é necessário olhar para o mundo com a nossa percepção, mas também aberto para o que o cotidiano e as pessoas diferentes de nós podem contar. Escrevo livros para aprender sobre outras maneiras de viver e lidar com os meus incômodos, que muitas vezes também são coletivos”.
Ela também orienta jovens interessados em escrever. “Primeiro que não pensem na profissão do escritor como um meio de serem aceitos pelas pessoas, mas que encarem a escrita como uma atividade que precisa muito da nossa criança curiosa que nunca para de se perguntar o porquê de tudo. Saber fazer perguntas nos fortalece muito mais do que receber respostas prontas”.
Monique relaciona a escrita à construção da memória social. “A importância de formar um país não só de leitores, mas de escritores. Escrever nossa história é reafirmar nossa autonomia diante do colapso do mundo”.
Oficina discute leitura na era das redes sociais
A Oficina de Capacitação de Mediadores de Leitura terá condução do historiador Vinicius Barbosa, idealizador do projeto Latinaleitura. A atividade aborda os desafios da leitura em ambiente digital.
“Temos dois grandes conjuntos de desafios. Um é estrutural, ligado às políticas públicas e ao acesso ao livro. Outro é específico da nossa relação com a leitura nos tempos digitais. Depois do scroll infinito, passamos horas nas redes sociais. Como comunicar o prazer da leitura, que é silenciosa e solitária, em uma era extremamente barulhenta?”, afirma.
Ele também aponta a necessidade de compreender o funcionamento das redes. “A gente está acostumado a consumir redes sociais, mas não a analisá-las criticamente e nas redes é isso que potencializa o alcance. Se queremos formar leitores, precisamos dominar esse modo de fazer. A oficina propõe retirar essa cortina e olhar as redes como veículo de mediação de leitura”.
A proposta combina análise e prática. “Espero que os participantes saiam com ferramentas renovadas para atuar nas redes ou ao menos enxergá-las de forma mais crítica e analítica. Vamos pensar desde a produção de conteúdo até a criação de comunidades de leitura”, relata Vinicius.
Cinema, atuação, tecnologia e poesia integram programação



A programação inclui ainda outras oficinas. A Oficina de Criação e Desenvolvimento de Aplicativo para Celular utiliza programação em blocos com App Inventor e permite que os participantes desenvolvam e instalem aplicativos.
A Oficina de Roteiro Cinematográfico terá condução do cineasta Joel Pizzini e apresenta princípios da escrita audiovisual.
A atriz Shirley Cruz, conhecida pelos trabalhos em A Melhor Mãe do Mundo e Cidade de Deus, conduz a oficina Em Cena, a Ação, com atividades voltadas à interpretação para cinema e televisão.
A Oficina Slam Vozes da Juventude terá condução de Alessandra Coelho e propõe prática de poesia falada como forma de expressão e protagonismo juvenil.
Realização e parcerias institucionais
O Festival da Juventude resulta de realização do Instituto Curumins em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e com o Ministério da Cultura. O convênio ocorre por meio de emenda do deputado federal Vander Loubet e conta com apoio da Lei Federal de Incentivo à Cultura Lei Rouanet, do Fundo Nacional de Cultura e do Governo do Brasil.
A iniciativa também recebe apoio da Secretaria de Estado da Cidadania, da Subsecretaria da Juventude, da Secretaria de Estado de Turismo, Esporte e Cultura, da Secretaria de Estado da Educação, da Fundação de Cultura, da Educativa MS, do Governo de Mato Grosso do Sul e da empresa Águas Guariroba.
Informações e inscrições estão disponíveis no site oficial do festival festival https://festjuv.com.br/2026/ e pelo Instagram @festivaldajuventudems.
Com informações: Assessoria



