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Vaticano remove obras de Rupnik e acende debate sobre arte sacra e abuso

Remoção de imagens nos canais oficiais

O Vaticano retirou de seus canais digitais, nesta segunda-feira (9), representações artísticas do ex-padre jesuíta esloveno Marko Ivan Rupnik. As imagens, antes utilizadas com frequência pelo portal ‘Vatican News’ para ilustrar festas litúrgicas, deixaram de aparecer nos artigos recentes.

A escritora católica Amy Welborn publicou no X capturas de tela comparando a versão original e a atual do artigo “Memorial da Bem-Aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja”, onde a arte já não aparece. A modificação ocorreu no mesmo dia da exclusão das imagens do site.

Histórico de acusações e expulsão da Companhia de Jesus

Marko Rupnik foi desligado da Companhia de Jesus em junho de 2023. A ordem religiosa informou que a medida resultou da “recusa teimosa em observar o voto de obediência”. Cerca de vinte mulheres, a maioria ex-religiosas, relataram abusos atribuídos a Rupnik. Elas descreveram experiências de abuso espiritual, psicológico e sexual ocorridas nas últimas três décadas.

Mudança no contexto da proteção de menores

A alteração no conteúdo dos portais digitais do Vaticano ocorreu pouco depois da reunião do Papa Leão XIV com a Pontifícia Comissão para a Proteção de Menores, realizada em 5 de junho. O papa já havia se encontrado com o cardeal Seán O’Malley, presidente da Comissão, no dia 14 de maio, durante os primeiros dias de seu pontificado.

Reações e decisões internacionais sobre a arte

A remoção de obras criadas por Rupnik não se restringiu ao Vaticano. Em 31 de março, o Santuário de Nossa Senhora de Lourdes, na França, anunciou que cobriria os mosaicos do artista instalados nas entradas da Basílica do Rosário. Em Washington, a instituição Knights of Columbus aprovou, em abril, uma resolução pedindo a retirada de mosaicos nas capelas Redemptor Hominis e dos Mistérios Luminosos. A diretoria ainda avalia como prosseguir, mas já formalizou a solicitação.

Em dezembro de 2023, a Diocese de Versailles, na França, interrompeu a colaboração com Rupnik. A decisão cancelou a sua participação em um projeto de construção de uma igreja em Voisins le Bretonneux.

Obras de Rupnik permanecem visíveis no Brasil

No Brasil, algumas criações artísticas de Rupnik continuam expostas. Em Aparecida (SP), o Santuário Nacional exibe mosaicos bíblicos na Fachada Norte, com aproximadamente 3.840 m². A obra integra o projeto “Jornada Bíblica” e foi desenvolvida pelo Centro Aletti sob sua coordenação. Outras fachadas ainda receberão painéis com o mesmo conceito.

Na cidade de Castanhal (PA), a Catedral Madre Maria Mãe de Deus possui, em seu interior, mosaicos criados pela mesma equipe. Já em Belo Horizonte (MG), a Catedral Cristo Rei segue com o projeto artístico iniciado por Rupnik. Ele esteve no local em novembro de 2022 e participou do planejamento. A execução ainda não começou, mas deverá acontecer com sua orientação visual.

Contexto de arte e responsabilidade

A exclusão das imagens e as decisões relacionadas às obras de Rupnik refletem uma crescente mobilização diante das denúncias. A Igreja Católica, sob nova condução, sinaliza mudanças em sua política de comunicação visual. A permanência ou retirada dessas obras provoca, em diversos países, reflexões sobre os limites entre a memória artística e a responsabilidade institucional.

Com informações: Vatican News

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