Nesta segunda-feira (09/09) a umidade relativa do ar em Campo Grande atingiu 10% às 16h04 conforme medição da Estação Meteorológica Anhanguera/Uniderp. No mesmo horário, a temperatura registrada na capital de Mato Grosso do Sul estava em 32,8°C. No entanto, a umidade relativa do ar mais baixa foi registrada em Porto Murtinho, Jardim, Miranda, Costa Rica e Amambai, onde o índice chegou a 8%.

Um dos efeitos desse comportamento climático foi observado na Lagoa Itatiaia em Campo Grande. A medição feita pela Anhanguera Uniderp constatou uma evaporação de 71 ml por m2 em 10 horas. Como o reservatório tem 1,4 he, pode-se concluir que perdeu 9.940 litros de água somente hoje.
Esse índice baixo da umidade relativa do ar é típico do deserto do Atacama, no Chile, um dos lugares mais secos do mundo. A umidade relativa do ar no Atacama é extremamente baixa, com valores médios geralmente variando entre 10% e 18%.
Em algumas áreas, especialmente nas regiões mais áridas e desabitadas, a umidade pode cair para níveis próximos a 0%, o que contribui para as condições de aridez extrema do deserto. Esses baixos índices de umidade se devem à combinação de fatores como a presença da corrente de Humboldt, que resfria o ar, e a barreira criada pela Cordilheira dos Andes, que impede a entrada de umidade proveniente do Atlântico.
No último domingo (08/09) em Mato Grosso do Sul, 44 municípios registraram umidade relativa do ar de 12% ou menos, o que caracteriza estado de emergência em saúde. No mesmo dia, 69 dos 78 municípios do Estado registraram sensação térmica acima de 44°C. 21 delas registraram temperaturas reais iguais ou acima dos 40°C. A temperatura mais alta foi registrada em Aquidauana, com 41,6°C. A sensação térmica maior foi registrada em Porto Murtinho, com 48°C.
De acordo com o meteorologista Natálio Abrahão Filho, vários fatores contribuem para esse calor intenso e baixa umidade relativa do ar em Mato Grosso do Sul neste final de inverno. O primeiro deles é a presença de uma massa de ar seco sobre o Centro Oeste brasileiro. “Durante o inverno e em períodos de estiagem, a região é influenciada por massas de ar seco, que são predominantemente de origem continental. Essas massas de ar são caracterizadas por baixa umidade, o que reduz significativamente a umidade relativa do ar”.
Outro fator apontado é a ausência de chuva por períodos prolongados durante a estação secam o que contribui diretamente para a baixa umidade relativa do ar. “Sem precipitação, o solo e a vegetação ficam secos, reduzindo a evaporação e, consequentemente, a umidade do ar”, explica o meteorologista.
Ainda de acordo com os dados da estação meteorológica Anhanguera/Uniderp, a previsão é de continuidade de tempo quente e seco em todo o Mato Grosso do Sul até o final do mês de setembro.



