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Pretou reúne arte, gastronomia e música negra em dois dias de programação gratuita no Teatro do Mundo em Campo Grande

A segunda edição da Pretou, Mostra de Artes Pretas, ocupa o Teatro do Mundo nesta sexta-feira (17/04) e sábado (18/04), na Rua Barão do Melgaço, 177, no centro de Campo Grande, com entrada gratuita e atividades acessíveis em Libras. A programação reúne música, artes visuais, gastronomia, cinema, literatura, poesia, dança e teatro, com início às 16h nos dois dias. O idealizador do projeto, Fábio Castro, resume a proposta com uma afirmação: “Campo Grande não é mais uma cidade morena, é uma cidade negra”.

Uma mostra que nasce da necessidade de ocupação

Fábio Castro explica que a Pretou surgiu de uma lacuna: “Sentia falta de um espaço onde artistas negros pudessem se apresentar e se ver como protagonistas das próprias histórias. A Pretou surge como esse espelho, mas também como um movimento contrário às narrativas que insistem em nos colocar à margem”. Na segunda edição, o produtor aponta o crescimento da mostra em estrutura e em presença: “Campo Grande tem uma população majoritariamente negra e parda. São cerca de 475 mil pessoas que se declaram negras ou pardas. A Pretou vem para tensionar isso e colocar essas experiências no centro”.

DJ Lady Afro abre a mostra com afrobeat, funk e resistência

A abertura na sexta-feira (17/04) fica com a DJ Lady Afro, que se apresenta das 16h às 18h e retorna ao palco das 20h às 20h15. Com sets que transitam entre afrobeat, funk, hip hop e dancehall, ela transforma a pista em território de afirmação. “Quando eu toco, penso na energia da pista, mas também na representatividade. Ser uma mulher preta, periférica e LGBTQIAPN+ ocupando esse espaço é uma forma de resistência”, diz. Para ela, a Pretou fortalece esse movimento coletivo: “São espaços como esse que abrem caminhos para outros artistas. A gente se vê, se reconhece e entende que pode estar ali também”.

Plantas invisibilizadas viram alimento e memória em oficina gastronômica

Também na sexta (17), das 17h às 19h, a pesquisadora e engenheira agrônoma Hilbaty Rodrigues conduz a oficina “Mato não! Comida”, sobre Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs) e a relação entre alimentação, território e memória. “Quando trabalhamos com PANCs, falamos de plantas que sempre estiveram nos territórios, mas foram invisibilizadas ao longo do tempo. Isso provoca uma reflexão: por que algumas coisas são vistas como alimento e outras como ‘mato’?”, questiona. A proposta vai além da teoria: “A ideia é experimentar, sentir, provar. Mostrar que esses saberes seguem vivos e podem fazer parte do nosso cotidiano de forma acessível”, acrescenta. A atividade é acessível em Libras.

Cinema negro, poesia e show encerram a sexta-feira

A partir das 18h, a mostra exibe filmes de cineastas negros sul-mato-grossenses com roda de conversa, também acessível em Libras. Às 20h15, a Letra Preta toma o espaço com literatura, seguida pelo Slam Camélias às 21h. O show com Afrofino encerra a programação da sexta às 21h30.

Dramaturgia negra e corpos em movimento marcam o sábado

No sábado (18), o ator e pesquisador Marcelo de Jesus conduz a palestra “Dramaturgias Negras”, das 17h às 18h30, abordando o teatro como ferramenta de transformação social. “O teatro tem a potência de discutir o mundo a partir do corpo. E quando esse corpo é negro, ele carrega uma história e uma experiência que precisam ser vistas e ouvidas. Falar de dramaturgia negra é falar de presença, memória e disputa por espaço”, afirma. Marcelo situa o papel da mostra nesse contexto: “Existe um apagamento das experiências negras em Mato Grosso do Sul, e eventos como esse ajudam a trazer essas narrativas para o público, não só no campo teórico, mas como vivência”. A programação do sábado inclui ainda a DJ TGB a partir das 16h, a dança “Corpos em Território” às 19h, a performance “Mulheres e Estrelas” às 20h e o show “Do Interior”, com SoulRa, a partir das 21h.

Financiamento público e realização coletiva sustentam a mostra

A Pretou é uma realização da Touché e Vitrine do Mato, com financiamento da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e da Prefeitura de Campo Grande, via edital da Fundação Municipal de Cultura. Informações e programação completa estão disponíveis no Instagram @vitrinedomato. Fábio Castro resume o que a mostra propõe ao público: “Mais do que apresentar trabalhos, a Pretou constrói um território onde histórias negras são contadas por quem as vive, e onde o público é convidado não apenas a assistir, mas a reconhecer, refletir e fazer parte desse movimento”.

Com informações: Assessoria

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