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Primavera aumenta risco de calor, temporais e enchentes em Mato Grosso do Sul

A primavera começa na próxima terça-feira (22/09) e segue até o dia 21/12, com duração de 91 dias. Em Mato Grosso do Sul, a estação deve combinar ondas de calor, períodos de estiagem, baixa umidade, radiação ultravioleta, tempestades, granizo e rajadas de vento. O prognóstico foi elaborado pelo meteorologista Natálio Abrahão Filho, da Estação Meteorológica da Uniderp.

Transição muda as condições do tempo

O equinócio marca o momento em que o Sol cruza o equador terrestre e os raios solares incidem na vertical. O fenômeno equilibra a duração do dia e da noite, com cerca de 12 horas para cada período. A primavera faz a transição entre o inverno e o verão, mas as alterações previstas para esta estação devem interferir na distribuição das chuvas, na duração das ondas de calor e na formação de períodos de estiagem. “Pancadas de chuva, trovoadas, ventos, granizo e descargas elétricas devem ocorrer em vários episódios no Centro-Sul e com menor intensidade no Centro-Norte do estado”, afirma o meteorologista responsável pela estação meteorológica da Uniderp, Natálio Abrahão Filho. É ele quem assina o ‘Prognóstico de Primavera’, publicado nesta semana.

De acordo com o documento, entre os dias 14 e 28 de setembro, as anomalias indicam volumes de chuva acima da média nas regiões Sul e Sudeste e em parte do Centro-Oeste do país. Em Mato Grosso do Sul, tempestades podem atingir o Centro-Sul, com ventos acima de 70 quilômetros por hora e risco de prejuízos materiais, perdas de animais e danos à produção agrícola.

Temporais avançam durante a estação

Os alertas devem alcançar, entre outubro e novembro, os municípios de Corumbá, Ladário, Miranda, Dourados, Naviraí, Ivinhema, Ponta Porã, Sidrolândia e Bonito. No Norte, a atenção se volta para Jaraguari, Rochedo e São Gabriel do Oeste. A partir de outubro, as instabilidades também devem avançar pelas regiões Norte e Nordeste. “No fim de setembro, a chuva pode retornar entre os dias 28 e 30, com distribuição irregular e volumes reduzidos no Sul, Sudoeste e Centro do estado. Entre Corumbá, Ladário, Forte Coimbra, Bodoquena e Miranda, são esperados baixos acumulados e rajadas acima de 60 quilômetros por hora”, afirma o meteorologista.

Em outubro, a previsão aponta chuvas mais distribuídas em Mato Grosso do Sul. Os volumes podem ficar abaixo da média na faixa que compreende Corumbá, Ladário, Porto Murtinho, Aquidauana, Miranda, Bodoquena, Jardim, Guia Lopes da Laguna e Bonito. No Sul, a chuva pode chegar acompanhada de vento e volumes capazes de provocar transtornos. Para Campo Grande, o prognóstico estima acumulados próximos ou pouco abaixo da média, mas prevê episódios de chuva, alagamento, trovoada, raio e rajada de vento.

Sul e Sudoeste concentram risco de enchentes

De acordo com os estudos meteorológicos, as chuvas devem ganhar frequência e volume no fim de outubro e continuar em novembro e dezembro. O prognóstico aponta risco de enchente e inundação no Sul e Sudoeste, sobretudo entre Bonito, Jardim, Ponta Porã, Antônio João, Amambai, Sete Quedas, Dourados, Sidrolândia, Itaporã, Naviraí e Juti. Coxim, Sonora, Pedro Gomes, Corumbá, Ladário e São Gabriel do Oeste também podem registrar acumulados acima do esperado. As pancadas devem se concentrar no fim da tarde, à noite e durante a madrugada, com trovoadas e rajadas. “A condição de El Niño indica chuvas mais regulares no Sul do estado em outubro, novembro e dezembro, chuvas mal distribuídas nas regiões Norte e Oeste e volumes próximos das médias na região central de Mato Grosso do Sul”, explica o meteorologista.

As médias históricas de chuva entre outubro e dezembro variam conforme a região. Campo Grande e Terenos registram referências mensais de 145, 205 e 220 milímetros. Em Corumbá e Ladário, os valores são 75, 110 e 140 milímetros. Coxim e Rio Verde apresentam médias de 120,5, 225 e 230 milímetros. Dourados e Itaporã têm referências de 160,5, 175 e 180 milímetros, enquanto Ivinhema e Angélica apresentam 170,5, 155,5 e 185,5 milímetros. Em Paranaíba e Inocência, as médias são 125, 160,5 e 260 milímetros. Ponta Porã e Antônio João registram 185, 210 e 180,5 milímetros, e Três Lagoas e Bataguassu apresentam 125, 135 e 190,5 milímetros.

El Niño altera distribuição das chuvas

As projeções da temperatura dos oceanos indicam aquecimento no Pacífico Equatorial. O El Niño deve atingir o pico em novembro e pode modificar as chuvas e as temperaturas no Brasil, com reflexos no Centro-Sul de Mato Grosso do Sul durante o verão e o primeiro trimestre de 2027.

O fenômeno redistribui a precipitação no planeta, mas os efeitos dependem da geografia, da vegetação e das condições do clima em cada região. Eventos anteriores associaram o El Niño à seca em partes da Amazônia, da Austrália, da África e da Ásia, enquanto áreas do Peru, Equador, Estados Unidos e Sul da América do Sul registraram aumento das chuvas.

As projeções do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a Médio Prazo indicam risco de estiagem nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. Para Mato Grosso do Sul, o prognóstico alerta para chuvas acima da média no Sudoeste e no Sul entre o fim de novembro e 15/01/2027. A região produtora do Norte do estado também exige atenção em janeiro.

O aquecimento do Atlântico Sul pode contribuir para esse cenário. As condições oceânicas ainda influenciam a formação de tempestades, a atividade pesqueira, os recifes de corais e a distribuição dos ciclones entre o Atlântico e o Pacífico.

Ondas de calor atingem todas as regiões

As temperaturas devem permanecer acima das médias, com sucessivos episódios de calor. No Norte, as máximas podem variar entre 35 e 40 graus, enquanto o Leste pode superar 41 graus. Campo Grande, Corumbá, Água Clara, Três Lagoas, Coxim, Rio Verde, Ladário, Nhumirim e Sonora podem registrar os maiores valores entre o fim de setembro e outubro. A radiação solar também deve favorecer a formação de nuvens de tempestade.

Em outubro, as máximas estimadas chegam a 40 graus na região central, 37 graus no Sul, 41 graus no Leste, Norte e Oeste, 37 graus no Sudeste e 39 graus no Sudoeste. Em novembro, os valores previstos variam entre 35 e 40 graus. Em dezembro, ficam entre 33 e 38 graus. “Ocorrerão vários episódios de ondas de calor com valores acima das médias em todo o estado”, prevê Natálio Abrahão Filho.

Umidade pode cair abaixo de 20 por cento

A umidade relativa do ar pode ficar abaixo de 30 por cento durante os bloqueios atmosféricos. Entre outubro e novembro, os índices mínimos podem cair para menos de 20 por cento, com períodos de estiagem, aumento das queimadas e impactos sobre a saúde. As regiões Norte e Nordeste podem formar áreas com umidade reduzida entre Chapadão do Sul, Cassilândia, Paranaíba e Três Lagoas. Essa condição dificulta o avanço de frentes frias e favorece os incêndios. Na faixa entre Aquidauana, Miranda, Bodoquena, Ladário e Corumbá, massas de ar quente podem formar áreas de instabilidade, com trovoadas e rajadas acima de 60 quilômetros por hora.

Ventos e granizo ampliam possibilidade de danos

Os ventos devem atingir com maior frequência as regiões Sul, Sudoeste, Sudeste e Centro, principalmente em outubro e parte de novembro. As rajadas podem superar 60 ou 70 quilômetros por hora. O prognóstico estima 90 por cento de probabilidade de danos no Centro-Sul, 70 por cento no Sudeste e Leste e 50 por cento no Oeste e Norte. A chegada das frentes pode reunir vento, descarga elétrica, trovoada, chuva e granizo. “Esses episódios são comuns no fim da tarde, no começo da noite e durante a madrugada, e podem se repetir ao longo da estação”, diz o meteorologista.

Radiação ultravioleta exige proteção

A posição de Mato Grosso do Sul em relação à incidência dos raios solares favorece índices de radiação ultravioleta durante a primavera. O risco permanece mesmo em dias nublados ou com nebulosidade. A recomendação é reduzir a exposição ao sol entre 10h e 15h e utilizar protetor solar, óculos, chapéu, roupas claras e líquidos. Pessoas com pele clara podem sofrer maior absorção, e os danos são cumulativos.

O prognóstico tem caráter experimental e foi produzido a partir de modelos e consultas ao Instituto Nacional de Meteorologia, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Observatório Copernicus, Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a Médio Prazo, Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos e Instituto da Terra da Universidade de Columbia. Segundo o documento, o uso das informações e das previsões é de responsabilidade do usuário.

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