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Operação OncoJuris desmonta quadrilha que desviava recursos de medicamentos de pacientes com câncer em Mato Grosso do Sul

Uma organização criminosa que se valia da judicialização da saúde para desviar recursos públicos destinados à compra de medicamentos de alto custo para pacientes oncológicos foi desarticulada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul na manhã de quarta-feira (23/04). A Operação OncoJuris, deflagrada pelo Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (DRACCO), resultou em cinco prisões temporárias e 21 mandados de busca e apreensão cumpridos de forma simultânea em Campo Grande, Ribas do Rio Pardo, São Paulo e Minas Gerais. As investigações apontam que as taxas cobradas pelo grupo chegavam a representar até 98% dos valores liberados judicialmente, com prejuízos milionários ainda em apuração.

O mecanismo da fraude

O esquema explorava uma brecha no sistema de judicialização da saúde. Pacientes com câncer ingressavam com ações judiciais para obter medicamentos de alto custo, e o Judiciário determinava o bloqueio de valores nas contas do Estado para financiar as compras. Nesse ponto, empresas vinculadas ao grupo apresentavam orçamentos baseados no Preço Máximo de Venda ao Governo (PMVG), induzindo o Judiciário a validar os valores, embora esse parâmetro não se aplique à venda direta ao consumidor. Dois servidores da Secretaria de Estado de Saúde e integrantes do núcleo jurídico da organização direcionavam quais farmácias e assessorias de importação participariam das ações, e os valores bloqueados eram depositados diretamente nessas empresas.

O que os pacientes recebiam

Em vez de adquirir os medicamentos descritos nos processos, as empresas realizavam importações por meio de terceiros ou diretamente em nome dos pacientes, utilizando seus CPFs, e compravam os produtos por valores muito inferiores ao bloqueado judicialmente. A diferença compunha o lucro ilícito do grupo. A investigação revelou ainda que pacientes podem ter recebido medicamentos sem rastreabilidade, sem número de lote e sem registro na Anvisa, com divergências em relação aos produtos descritos nos documentos judiciais.

A estrutura da organização

Olhar 67 - Operação OncoJuris desmonta quadrilha que desviava recursos de medicamentos de pacientes com câncer em Mato Grosso do Sul

A diretora do DRACCO, delegada Ana Cláudia Medina, explica a divisão interna do grupo: “A organização criminosa era formada pelos núcleos político-administrativo, jurídico, empresarial e logístico-financeiro.” No núcleo político-administrativo atuavam G.O.N., responsável por subsidiar órgãos públicos com orçamentos direcionados, A.P.M., na organização e encaminhamento de orçamentos, e L.S.P.M., investigada por possível uso como interposta pessoa para ocultação de valores. O núcleo jurídico era operado por V.G.L.R., que inseria empresas nas ações como terceiro interessado. No núcleo empresarial figuravam R.P.S. e S.R.S.F., ligados a uma drogaria no bairro Coophavilla 2, em Campo Grande, e M.A.N.M. e L.H.M., vinculados a uma farmácia em Ribas do Rio Pardo. O núcleo logístico-financeiro era composto por J.C.M., L.T.M.S., E.M.P., E.A.M., L.P., F.R.F. e V.G.C., todos com atuação na importação, logística e movimentação financeira.

As prisões e os próximos passos

Após dez meses de investigação iniciados em junho de 2025, com levantamento de provas e individualização dos envolvidos, a operação contou com a participação da Receita Federal, da Defensoria Pública, do Ministério Público e com o apoio operacional das delegacias de Campo Grande e dos estados de São Paulo e Minas Gerais. Foram presos temporariamente G.O.N. (37), A.P.M. (39), L.H.M. (51), V.G.L.R. (27) e R.P.S. (54), todos indiciados por organização criminosa e falsidade documental. As investigações prosseguem para identificar outros envolvidos e dimensionar o total dos prejuízos causados ao Estado e às vítimas do esquema.

Com informações: Assessoria Polícia Civil / MS

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