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Ney Matogrosso abre Festival da Juventude com palestra-show e recebe título honoris causa da UFMS

Ney Matogrosso abriu a 2ª edição do Festival da Juventude na noite desta quinta-feira, dia 26, no Teatro Glauce Rocha, em Campo Grande, com uma palestra-show que reuniu palavra, canto e reflexão. O artista também recebeu o título de doutor honoris causa pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), em uma cerimônia que marcou a noite ao lado da apresentação.

Da palavra ao palco

Antes das músicas, veio a conversa. Mediado pelo escritor Febraro e pela artista visual Isabê, Ney percorreu temas como processo criativo, memória, meio ambiente e juventude. Ao descrever sua rotina de trabalho, ele afastou qualquer ideia de espontaneidade descompromissada: “Só trabalho com ensaio, ensaio, ensaio. Em geral, para um show ficar pronto, são mais de três meses, com banda diariamente, de quatro a cinco horas por dia de ensaio. É um exercício contínuo.” Sobre sua identidade artística, foi direto: “Eu me defino como artista porque quero fazer tudo o que me interessa nas artes, como dançar, dirigir peças e shows, produzir, atuar, cantar.”

Construção coletiva e rigor individual

Ao abordar o fazer artístico, Ney reforçou o valor da disciplina e da experimentação: “Compartilhar para mim é normal. Mas tudo é feito com muito trabalho, tudo é muito trabalhoso. Embora eu seja um artista profissional, tudo é fruto de muito ensaio e de experimentação.” Em tempos de instantaneidade digital, a fala ecoou como um contraponto ao imediatismo.

Cerrado que desaparece e inquietação com o planeta

Meio ambiente e memória surgiram como extensões naturais de sua arte. Ao lembrar das viagens à sua cidade natal, Bela Vista, no Mato Grosso do Sul, o artista revelou uma preocupação: “Quando eu ia para lá de carro, meu pai tinha um fusquinha, e eu via um cerrado alto que ia se transformando em floresta. A última vez que fui a Bela Vista não vi mais esse cerrado e nem a floresta. Isso me deixa muito aflito.” Sobre a juventude, recusou o papel de conselheiro, mas deixou uma mensagem: “Não dou conselho, não gosto. Mas o que posso dizer é que devemos viver neste planeta da melhor forma possível. Isso inclui o bom convívio com as outras pessoas e o olhar atento a esse organismo vivo, do qual fazemos parte.”

Show reúne gerações no Teatro Glauce Rocha

Na passagem para o show, Ney conduziu o público por um repertório que incluiu “Nada por Mim” e “A Balada de um Louco”, em uma apresentação que transitou entre delicadeza e intensidade. A plateia foi formada por pessoas de diferentes gerações. Thales Matheus Saldanha, de 22 anos, estudante de Engenharia Física, chegou com o rosto pintado em referência à fase dos Secos & Molhados: “Sou do metal, do rock, mas admiro muito a MPB. O Ney tem uma construção muito ampla, uma crítica forte. Isso também existe no metal.” Já Crezzo Paiva Filho, de 68 anos, fã há quase cinco décadas, compareceu com adereços e maquiagem inspirados em diferentes fases da carreira do artista: “Desde os 19 anos acompanho o Ney. São quase 50 anos vendo esse artista se reinventar. Estar aqui hoje é como revisitar toda essa história, mas ao vivo, com essa energia que ele ainda tem.”

Título honoris causa e emoção

A concessão do título de doutor honoris causa pela UFMS marcou a cerimônia. Visivelmente emocionado, Ney reagiu com espontaneidade: “É uma novidade pra mim isso aqui, sei nem o que dizer. Claro que estou feliz, mas acho que preciso de um tempinho para entender o significado disso.” A reitora Camila Ítavo destacou o caráter do momento: “Ele me disse que é a primeira vez que recebe um honoris causa, e eu também estou vivendo isso pela primeira vez como reitora. Estamos juntos nessa viagem.” Ela também apresentou a dimensão da universidade, com 45 mil estudantes, 1.800 técnicos e 1.600 professores presentes em 10 cidades do estado.

Programação segue até sábado com atividades gratuitas

O deputado federal Vander Loubet, apoiador do festival, ressaltou o papel da iniciativa: “Quando a juventude ocupa a cultura, ela ocupa o futuro. Esse festival não é apenas um evento, é um espaço de expressão, de encontro, de diversidade e de construção de identidade para os jovens.” A noite de abertura também contou com a apresentação da Orquestra Indígena com Mc Anarandá e a abertura da Vila das Letras. A programação do FestJuv segue nesta sexta-feira, dia 27, e ao longo do sábado, dia 28, com encerramento a cargo do show de Chico Chico. Todas as atividades são gratuitas e a programação completa está disponível em festjuv.com.br/2026.

Com informações: Assessoria

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