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Projeto transforma memória ferroviária de Campo Grande em cartilha educativa e exposição artística

A artista visual Sara Welter, conhecida pelo pseudônimo Syunoi, lança em junho a cartilha educativa “Resquícios do Tempo: Complexo Ferroviário”, com ilustrações de 12 espaços ligados à história da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil em Mato Grosso do Sul. O material terá distribuição gratuita em escolas, bibliotecas e instituições culturais, incluindo versões em braille, e um evento de lançamento reunirá artistas, estudantes, pesquisadores, historiadores e moradores em torno da memória ferroviária de Campo Grande.

A pesquisa e os desenhos

A produção envolveu dois meses de pesquisa histórica em arquivos, relatos e estudos sobre a ferrovia e os edifícios que marcaram a formação urbana de Campo Grande, seguidos de três meses dedicados a desenhos em nanquim e carvão. A diagramação da cartilha ocupou mais um mês de trabalho. A publicação reúne histórias, pesquisas e ilustrações de espaços como a Estação Ferroviária, o Casarão Thomé, a Casa da Chefia, a Caixa D’água da NOB, os vagões abandonados e a baldeação para Ponta Porã.

A estética do abandono

A técnica em preto e branco carrega, segundo a artista, a marca dos lugares que o tempo deixou para trás. “Todo o projeto Resquícios fala muito desse abandono, desses lugares antigos dos quais sobraram apenas restos e histórias. Os próprios desenhos carregam essa estética em preto e branco, cheia de contraste e detalhes que trazem essa sensação”, explica Sara. A escolha do nanquim e do carvão acentua rachaduras, sombras e marcas deixadas pelo tempo nas estruturas retratadas.

Uma inquietação que virou projeto

A série “Resquícios do Tempo” nasceu de uma pesquisa pessoal iniciada em 2021 e já resultou em exposição no MARCO durante o Festival Campão Cultural e na publicação da cartilha “Resquícios do Tempo: Redescobrindo Campo Grande”. Em novembro de 2025, o projeto foi apresentado em São Paulo, na 1ª Conferência Internacional das Tecnologias Sociais da Memória. “Percebi que essa inquietação não era apenas minha, mas de muitas pessoas. Existe uma curiosidade sobre a história desses lugares antigos, mas falta acesso a essas informações. Também existem muitos locais abandonados e descuidados. É necessário falar sobre essa história para incentivar a preservação”, afirma Sara.

O evento de lançamento e as oficinas

O lançamento da cartilha, ainda sem data definida, incluirá exposição dos desenhos originais, palestra com representantes do IPHAN, apresentações artísticas, DJ, video-performance e ações educativas. O projeto contempla ainda oficinas em escolas municipais. “Sabemos o quanto a ferrovia influenciou o entendimento do que é ser campograndense. A intenção é abrir os olhares para tudo isso e permitir que cada pessoa crie sua própria relação com essa história”, destaca a artista.

O financiamento

O projeto recebe investimento da Política Nacional Aldir Blanc, do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura, e é executado pela Prefeitura de Campo Grande através da Fundação Municipal de Cultura, a Fundac.

Com informações: Assessoria

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