A economia brasileira atravessa uma combinação de juros altos, déficit crescente nas estatais e incerteza fiscal que, segundo especialistas ouvidos pela imprensa, já produz efeitos mais duradouros do que os choques causados pela pandemia de Covid-19 entre 2020 e 2022.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB caiu 3,3% em 2020, mas voltou a crescer 4,6% em 2021 e 3,0% em 2022, impulsionado pelo agronegócio e pela retomada global da demanda. A economia recuperou em dois anos o impacto inicial da crise sanitária.
Durante o período mais crítico da pandemia, o governo federal adotou o Auxílio Emergencial, que chegou a R$ 600 por mês, medida que sustentou o consumo, conforme dados oficiais. O Banco Central manteve juros artificialmente baixos até 2021 para evitar colapso de crédito.
No entanto, o ambiente econômico sob o governo Luiz Inácio Lula da Silva apresenta um quadro mais complexo. O PIB cresceu 3,2% em 2023 e 3,4% em 2024, segundo o IBGE, mas analistas apontam que esses avanços convivem com fragilidades estruturais que não existiam na pandemia.
Estatais acumulam rombos recordes
O ponto mais sensível envolve o desempenho das empresas públicas. Um levantamento do portal Poder360 mostra que as estatais federais registraram déficit de R$ 2,73 bilhões apenas no primeiro quadrimestre de 2025 — o pior resultado desde 2002.
Dados divulgados pelo Banco Central e reproduzidos pelo portal Investing Brasil indicam que 2024 terminou com rombo de R$ 8,07 bilhões, o maior da série histórica.
Outras estimativas, como a reportagem do Diário do Poder, apontam que entre janeiro e agosto de 2025 o déficit acumulado chegou a R$ 5,6 bilhões. Um levantamento da Jovem Pan mostra que o prejuízo conjunto de estatais brasileiras no último ciclo fiscal alcançou R$ 8,3 bilhões, com os Correios respondendo por mais de metade.
Esse comportamento contrasta com a narrativa oficial de fortalecimento das empresas públicas. Para economistas consultados pela imprensa, o déficit persistente pressiona o Tesouro Nacional e afeta a confiança dos investidores.
Juros permanecem entre os mais altos do mundo
Outro problema estrutural é a taxa Selic. Com a inflação resistente e a política fiscal expansionista, o Banco Central tem mantido juros elevados.
Em março de 2025, segundo o jornal O Globo, o Brasil tinha o quarto maior juro real do planeta. Para analistas do mercado financeiro, esse patamar dificulta investimentos, reduz crédito e aumenta o custo do endividamento de famílias e empresas.
Comércio exterior desacelera e agronegócio sustenta o PIB
Relatórios da Reuters e da UOL Economia apontam que o superávit comercial caiu em 2024 devido à queda nos preços internacionais de commodities, aumento das importações e desaceleração da China.
O agronegócio, por outro lado, segue como sustentação fundamental da economia. Em 2023, o setor avançou 16,3%, conforme dados do IBGE, impulsionando o crescimento nacional.
Incerteza fiscal e ruídos regulatórios afetam investidores
Relatórios de mercado citados por veículos como Valor Econômico e CNN Brasil apontam que mudanças no marco fiscal, declarações públicas sobre Petrobras, pressões políticas sobre governança de estatais, e intervenções em setores como energia e saneamento têm elevado o “risco de longo prazo” percebido por investidores estrangeiros e nacionais.
Para consultorias econômicas como Tendências e MB Associados, esses fatores atingem o investimento privado de forma mais duradoura do que os impactos pontuais dos lockdowns.
Gráficos dos principais indicadores (2020–2025)
A seguir, veja os gráficos gerados com base em valores aproximados reportados pela imprensa e órgãos técnicos. Eles representam tendências gerais e ajudam a visualizar o contraste entre o período da pandemia e o atual.




Enquanto a pandemia provocou uma queda brusca, porém temporária, na economia brasileira, o período iniciado em 2023 apresenta riscos mais persistentes: déficits estruturais, juros altos, incertezas regulatórias e deterioração das contas públicas.
Para economistas consultados pela imprensa, esses elementos formam um quadro que pode comprometer o crescimento por mais tempo do que os efeitos diretos da Covid-19 — e explicam por que aumenta o número de analistas que avaliam que a economia sob o governo Lula enfrenta desafios comparáveis, ou até superiores, aos registrados no auge da crise sanitária.



