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Inverno de 2026 traz frio intenso, risco de geadas e calor extremo para Mato Grosso do Sul

O inverno de 2026 começa oficialmente em Mato Grosso do Sul nesta madrugada de domingo, dia 21 de junho, às 4h24, com a chegada do solstício no Hemisfério Sul, e encerra-se em 22 de setembro, às 20h05, com o início da primavera. A estação não se apresenta como um período homogêneo: o prognóstico do meteorologista Natálio Abrahão Filho, elaborado pela Estação Meteorológica da Uniderp, em Campo Grande, aponta para uma sequência de extremos climáticos que inclui frio com geadas, estiagem progressiva, risco de queimadas e calor fora do padrão histórico no encerramento da estação. A influência do fenômeno El Niño, já presente em junho e com perspectiva de se estender até o início de 2027, atravessa todo o prognóstico como fator de agravamento.

A chegada do frio

A estação abre com uma massa de ar polar intensa, responsável por nublar o céu, trazer chuva e derrubar as temperaturas entre os dias 21 e 25 de junho. Em Campo Grande, os termômetros devem marcar entre 4 e 7 graus. Em Ponta Porã e Dourados, os valores mínimos ficam entre 3 e 5 graus. Em Três Lagoas, a faixa esperada vai de 8 a 10 graus, e em Corumbá, de 10 a 12 graus. Os dias 21 e 22 de junho concentram as noites mais longas e frias do ano, com 13h06 de período noturno contra apenas 10h54 de luz solar. Nesse intervalo, chuviscos e nevoeiros devem afetar estradas e aeroportos no centro-sul do estado, com temperaturas abaixo de 10 graus.

Julho: o mês mais frio

Julho guarda os momentos de maior rigor da estação. Entre os dias 7 e 13, modelos meteorológicos indicam a chegada de massas de ar polar capazes de reduzir as temperaturas em até 5 graus abaixo do esperado para a região centro-sul de forma generalizada. “Há previsão de geadas entre a primeira e a segunda semana de julho no centro-sul do estado”, afirma o meteorologista Natálio Abrahão Filho. As temperaturas mínimas previstas para Campo Grande ficam em torno de 4 graus, com máximas de 35 graus, o que revela a amplitude térmica característica da estação. Nevoeiros e neblinas devem se tornar frequentes nos dois primeiros meses do inverno, com impacto direto sobre a visibilidade em aeroportos e rodovias.

A transição para a seca

A partir da segunda quinzena de agosto, o comportamento do inverno muda de natureza. As chuvas se reduzem no centro, norte e oeste do estado, e a umidade relativa do ar pode registrar valores inferiores a 30%. “Valores neste patamar conduzem aos estados de atenção (20 a 30%), alerta (12 a 20%) e emergência (abaixo de 12%)”, descreve o meteorologista. A vegetação ressecada, combinada com poeiras, polens e cinzas em suspensão, eleva o risco de queimadas, com atenção especial para as regiões Oeste, Norte, Nordeste e o Pantanal. Em setembro, as primeiras chuvas devem chegar à região central e ao sul antes do dia 10, enquanto o norte e o oeste aguardam até depois do dia 20.

El Niño e o risco de calor extremo

O fenômeno El Niño, confirmado por fontes como o INPE e a NOAA, representa o elemento mais preocupante do prognóstico para o final da estação e para os meses seguintes. “Há uma probabilidade de 96% de que o evento El Niño atinja intensidade forte ou até muito forte entre setembro e novembro”, registra o documento, com base em dados do pesquisador Carlos Nobre, do INPE. Os efeitos se concentram a partir de agosto e se intensificam na primavera: temperaturas máximas podem superar 38 graus em cidades como Campo Grande, Três Lagoas, Aquidauana, Corumbá, Coxim e Sonora. Para setembro a novembro, o prognóstico aponta ondas de calor repetidas, com picos de 44 a 45 graus e sensação térmica acima de 50 graus, com risco elevado para crianças e idosos.

Impacto nos recursos hídricos

A Bacia do Rio Paraguai sofre atenção especial no documento. “O nível da bacia pode baixar nos níveis atuais para valores de atenção e alerta até o final do ano”, prevê o meteorologista. As nascentes e afluentes que dependem de chuvas nas regiões norte da Bolívia e oeste de Mato Grosso podem não receber os volumes esperados nos meses de agosto e setembro, com reflexos diretos sobre o Pantanal e os municípios ribeirinhos do estado.

Chuvas abaixo da média e regiões em alerta

As previsões de distribuição de chuvas indicam precipitação abaixo da média histórica no sul do estado em julho e agosto. O norte concentra as condições mais críticas: estiagem, calor e umidade baixa devem prevalecer de agosto ao início de setembro, com chuvas raras. O prognóstico alerta que não se descarta períodos superiores a 20 dias sem chuva em Campo Grande. Para o final de julho e início de agosto, municípios como Dourados, Mundo Novo, Bonito, Porto Murtinho, Ivinhema, Bataguassu e Nova Andradina podem receber chuvas ocasionais próximas às médias históricas, em poucos dias. “El Niño em 2026 indica mudanças nos padrões de chuvas, variações de estiagens e temperaturas em todo o estado. Serão graduais e devem ser sentidas a partir de agosto”, conclui o meteorologista, para quem o cenário exige preparação antecipada de governos e setores produtivos, sem que se ignore o fato de que “o tempo seguirá seu curso de acordo com as variações normais que os sistemas existentes se manifestem”.

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