Aumento expressivo rompe tendência histórica
A Amazônia Legal registrou um aumento abrupto na degradação florestal. Dados do Imazon mostram que, entre agosto de 2024 e fevereiro de 2025, a floresta perdeu 33.807 quilômetros quadrados de cobertura vegetal. No mesmo período do ciclo anterior, esse número era de 5.805 quilômetros quadrados. A comparação revela um crescimento de 482%, o maior já medido desde o início da série histórica do Sistema de Alerta de Desmatamento.
O avanço segue a escalada observada em 2024, quando a degradação alcançou 36.379 quilômetros quadrados, frente aos 6.092 registrados em 2023. Em fevereiro de 2025, a floresta perdeu 211 quilômetros quadrados, 1.407% a mais que no mesmo mês de 2024.

Focos de degradação e efeitos ambientais
O estado do Pará concentrou 75% da área degradada em 2025, seguido pelo Maranhão, com 14%. Juntos, os dois estados responderam por 89% da destruição florestal detectada até o momento. A degradação, nesse contexto, não remove totalmente a vegetação, mas compromete sua capacidade de regeneração. Essa fragilidade torna as áreas vulneráveis a queimadas, exploração madeireira e abertura de estradas clandestinas.
No ano anterior, esse processo emitiu 161,4 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente. O volume superou em mais do que o dobro as emissões atribuídas ao desmatamento completo.
Contraste com dados oficiais e silêncio institucional
O Ministério do Meio Ambiente, por meio do Deter/Inpe, reconheceu diferenças metodológicas e apontou queda na degradação nos primeiros meses de 2025. No entanto, até agora, nem o governo federal nem a ministra Marina Silva comentaram os dados do Imazon. A ausência de pronunciamentos gera cobranças por parte de ambientalistas e levanta dúvidas sobre a eficácia das políticas públicas de proteção florestal.

2023: 6.092 km²
2024: 36.379 km² (alta de 497%)
2025: 33.807 km² (dados até fevereiro; alta de 482% em relação ao mesmo período anterior)
Série histórica confirma ruptura
Entre 2016 e 2022, a área degradada na Amazônia oscilou entre 4.600 e 6.300 quilômetros quadrados por ano. A partir de 2023, os números começaram a subir. Em três anos, a destruição avançou mais de cinco vezes, com picos nos ciclos de 2024 e 2025. O gráfico da série confirma a mudança brusca de padrão, que coloca em risco o equilíbrio climático da região e reforça a pressão sobre os biomas da floresta.
Mudanças exigem respostas públicas
A escalada da degradação sugere falhas no monitoramento e no combate às práticas ilegais. A ausência de respostas do governo amplia o sentimento de abandono na região e desmobiliza ações de prevenção. Diante dos números, cresce a expectativa por uma resposta oficial que enfrente o problema com medidas claras e contínuas.



