A convocação de Neymar para a Copa do Mundo reacendeu um debate que atravessa o futebol, a economia e os interesses comerciais ligados à FIFA. Parte da discussão gira em torno do desempenho recente do atacante no Santos FC, enquanto outra aponta para o valor comercial que o jogador mantém no mercado chinês, considerado central para a meta de arrecadação da entidade no ciclo do Mundial de 2026.
A própria FIFA projetou receita de US$ 11 bilhões entre 2023 e 2026. Em fevereiro deste ano, dirigentes da entidade afirmaram que a organização segue no caminho para alcançar o número e indicaram a China como peça central do plano de expansão comercial.
Debate nas redes sociais
O debate ganhou força após publicações nas redes sociais questionarem se a convocação ocorreu por desempenho técnico ou por impacto financeiro. Os textos lembram que Neymar lidera campanhas publicitárias na China, entre elas ações da empresa Yili, e mantém presença forte nas plataformas digitais do país.
As publicações também relacionam a popularidade do jogador ao interesse da FIFA em preservar audiência e patrocínio no mercado chinês durante a Copa de 2026, que ocorrerá nos Estados Unidos, Canadá e México. O argumento parte do entendimento de que os horários das partidas reduzirão a audiência asiática, o que pode afetar contratos de publicidade e transmissão.
Segundo os textos, a China concentrou US$ 1,4 bilhão em publicidade durante a Copa do Catar, em 2022. O material também cita que o investimento chinês superou o de patrocinadores tradicionais do futebol internacional e sustentou parte relevante da arrecadação da FIFA.
Influência Chinesa em números
As publicações mencionam ainda levantamento da Morning Consult de 2023, segundo o qual 74% dos adultos chineses possuem impressão favorável de Neymar. O atacante aparece entre os atletas estrangeiros mais populares nas plataformas digitais chinesas, com destaque para o Douyin, versão local do TikTok.
O conteúdo afirma que a China Media Group mantém domínio sobre os direitos internacionais de transmissão esportiva no país e relaciona o alcance da CCTV durante os Mundiais ao interesse comercial da FIFA. Os textos apontam que a audiência chinesa representa parte da sustentação financeira do torneio.
Em outra publicação, o autor escreveu: “No passado, futebol era arte. Hoje, é negócio.” Em seguida, o texto associa o crescimento do mercado global à transformação das decisões esportivas em operações ligadas à audiência, publicidade e contratos internacionais.
Pressão externa e história da seleção
O desempenho recente de Neymar também aparece no centro do debate. As publicações registram que o atacante disputou 14 partidas pelo Santos em 2026, marcou seis gols e distribuiu quatro assistências. Ao mesmo tempo, o material cita lesões, críticas da torcida e queda nos números de dribles e criação ofensiva.
Os textos lembram que treinadores da seleção brasileira já resistiram à pressão popular em outras Copas. Um dos exemplos citados envolve a decisão de Mário Zagallo de deixar Romário fora da Copa de 1998, mesmo após recuperação física do atacante e apoio da torcida.
As publicações concluem que o futebol atual reúne talento, audiência e interesse econômico em uma mesma estrutura. O debate sobre Neymar, nesse cenário, ultrapassa o campo e alcança o tamanho do mercado que acompanha a seleção brasileira ao redor do mundo.



