A Comunidade Quilombola Tia Eva realiza neste sábado (23/05), a partir das 19h, a descida do terço da Festa de São Benedito, no 11º dia do evento, no bairro Jardim Seminário, em Campo Grande. O momento reúne moradores, devotos, descendentes de Tia Eva e visitantes em torno de uma tradição que atravessa mais de um século de história e mantém viva a promessa feita por Eva Maria de Jesus no início do século passado. Após a celebração religiosa, a programação segue com festa e confraternização na comunidade.
A tradição
A Festa de São Benedito nasceu da promessa feita por Tia Eva após alcançar a cura de uma enfermidade durante a viagem para a região onde hoje está Campo Grande. Desde então, a celebração tornou-se símbolo de resistência, fé e identidade quilombola, reunindo gerações em torno da igreja construída pela própria matriarca. A descida do terço representa o encerramento do ciclo de rezas e, ao mesmo tempo, a renovação de um compromisso transmitido entre gerações há mais de 100 anos.
A emoção da permanência
Para Vânia Duarte, descendente de Tia Eva e integrante da organização da festa, o que move o momento é a força da continuidade. “A descida do terço representa gratidão, união e resistência. Quando a comunidade se reúne para rezar, cantar e celebrar, a gente sente a presença dos nossos antepassados e a força daquilo que Tia Eva nos deixou. É um momento muito emocionante para todos nós”, afirmou.
O apoio institucional
Neste ano, a festa conta com o apoio do Grupo Trabalho e Estudos Zumbi (Grupo TEZ), por meio do projeto Festividades Religiosas: Saberes e Ancestralidade, aprovado pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB Estadual). A iniciativa fortalece celebrações religiosas de comunidades negras e tradicionais em Mato Grosso do Sul e valoriza práticas ancestrais e a memória da população negra no estado. O projeto recebe investimento do Governo Federal, por meio do MinC (Ministério da Cultura), e é executado pelo Governo do Estado através da FCMS (Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul).
Para a presidenta do Grupo TEZ, Bartolina Ramalho Catanante, apoiar a festa é também preservar um patrimônio vivo da cultura sul-mato-grossense. “A descida do terço é um momento de reencontro com a ancestralidade e com a memória coletiva da comunidade. Essas festividades carregam saberes que passam pela espiritualidade, pela solidariedade e pelo pertencimento. Apoiar essa tradição é reconhecer a importância histórica da Comunidade Tia Eva para a cultura negra de Mato Grosso do Sul”, disse.
Com informações: Assessoria



