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A Farsa do Progresso e o Naufrágio Anunciado

Há momentos na história de um povo em que a realidade se torna tão grotesca que qualquer tentativa de descrevê-la soa como caricatura. Vivemos um desses momentos. Enquanto os arautos do poder celebram índices de crescimento econômico como se fossem troféus de competência administrativa, o edifício nacional apodrece pelas fundações — e o fedor já não pode ser disfarçado nem mesmo pelas mais sofisticadas manobras retóricas da propaganda oficial.

O que temos diante de nós não é economia: é ilusionismo. Um truque de prestidigitação em que o mágico mostra o coelho saindo da cartola enquanto esconde, debaixo da mesa, o cadáver do elefante. O PIB cresce — vejam só! — 3,2% aqui, 3,4% ali. Palmas, confete, discursos inflamados sobre a “retomada do crescimento”. Mas ninguém ousa perguntar: crescimento sustentado por quê? Às custas de quê? E, principalmente: até quando?

A resposta está enterrada nos números que a liturgia oficial prefere não mencionar. As estatais — essas relíquias do patrimonialismo tupiniquim, esses colossos alimentados pela sangria do contribuinte — acumulam déficits que fariam corar um gestor de botequim. R$ 8,3 bilhões de prejuízo. Oito bilhões! E os Correios, ah, os Correios, joia da ineficiência estatal, responsáveis por mais da metade dessa catástrofe. Mas não se preocupem: o discurso oficial garante que estamos “fortalecendo as empresas públicas”. Fortalecer com rombos bilionários — eis uma dialética que nem Marx previu.

E enquanto o rombo das estatais corrói as contas públicas, o Banco Central, numa dança macabra entre a necessidade técnica e a pressão política, mantém a taxa Selic nas alturas. O quarto maior juro real do planeta! Uma conquista notável para quem promete desenvolvimento. Famílias sufocadas, empresas travadas, investimentos paralisados — mas o importante é preservar a narrativa, manter o teatro, fingir que tudo vai bem enquanto a casa pega fogo.

Comparem, se tiverem estômago, com a pandemia. Sim, aquela catástrofe sanitária global que nos trancou em casa, paralisou o comércio, matou milhões. O PIB despencou 3,3% em 2020, mas em dois anos a economia já havia recuperado o terreno perdido. Por quê? Porque o choque foi externo, pontual, superável. A Covid era um inimigo visível contra o qual se podia lutar.

Mas contra a incompetência estrutural, contra o aparelhamento ideológico, contra a ganância patrimonialista disfarçada de “compromisso social” — contra isso não há vacina. O que temos agora não é uma crise passageira: é deterioração crônica. É o apodrecimento lento e seguro de um organismo atacado por dentro, pelos próprios gestores que deveriam protegê-lo.

Os investidores — esses párias do discurso progressista, esses “especuladores” que ousam querer retorno sobre capital — já perceberam o óbvio: o risco Brasil não é mais conjuntural, é estrutural. Não se trata de esperar passar uma tempestade; trata-se de abandonar o navio antes que afunde de vez. E quando o capital foge, quando a confiança desaparece, nenhum índice cosmético de PIB, nenhum discurso inflamado em palanque, nenhuma cortina de fumaça ideológica consegue esconder a verdade nua e crua: estamos naufragando.

E o mais trágico? É que tudo isso era previsível. Absolutamente tudo. Bastava ter olhos para ver e coragem para dizer. Mas num país onde a mentira se tornou política de Estado e a realidade virou discurso de ódio, quem ousa apontar o óbvio é imediatamente caluniado, perseguido, silenciado.

Então sigamos em frente, celebrando nossos “avanços”, aplaudindo nossos “sucessos”, enquanto as estatais sangram bilhões, os juros sufocam o país e a deterioração se aprofunda dia após dia. Afinal, numa época de mentiras universais, dizer a verdade é um ato revolucionário — e revoluções, como sabemos, não são bem-vindas no teatro do absurdo que montaram para nós.

Que venha o dilúvio. Eles que se responsabilizem quando vier.

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