A Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre divulgou em Roma o Relatório sobre a Liberdade Religiosa no Mundo 2025. O estudo avalia 196 países e indica que dois terços da humanidade vivem sob graves violações desse direito fundamental.
Dois terços da população mundial vivem sob restrição
Mais de 5,4 bilhões de pessoas residem em nações onde o Estado nega o direito de professar livremente a fé. Sessenta e dois países estão classificados em situação de perseguição ou discriminação, abrigando 64,7% da população global. O relatório aponta o autoritarismo e o extremismo religioso como as principais ameaças e destaca o uso crescente da Inteligência Artificial como ferramenta de vigilância estatal.
Autoritarismo e controle estatal
O autoritarismo aparece como o fator mais determinante na limitação da liberdade religiosa. Governos empregam normas e instrumentos jurídicos para restringir a expressão da fé. Em 19 países, o controle estatal é o principal agente de perseguição, e em outros 33, sustenta práticas de discriminação. A China, a Eritreia, o Irã, a Coreia do Norte, a Arábia Saudita e o Turcomenistão figuram entre os casos mais críticos.
Extremismo e nacionalismo religioso
A violência jihadista se intensifica em regiões da África e da Ásia, especialmente no Sahel, onde redes como o JNIM e o ISSP atacam cristãos e muçulmanos que rejeitam o extremismo. O nacionalismo religioso também se expande, principalmente na Índia e em Mianmar, promovendo exclusão e ataques às minorias.
Criminalidade e repressão digital
O crime organizado impõe violência a comunidades religiosas em Estados frágeis como México, Haiti e Nigéria. Paralelamente, governos autoritários utilizam ferramentas digitais para monitorar e punir expressões religiosas, com destaque para China, Coreia do Norte e Paquistão. Mulheres e meninas pertencentes a minorias religiosas enfrentam sequestros e casamentos forçados.
Cristãos permanecem como alvo constante
Na África Subsaariana, extremistas intensificam ataques contra comunidades cristãs. Na Coreia do Norte, a prática religiosa é punida com prisão ou execução. No Paquistão, casos de blasfêmia e conversões forçadas afetam meninas cristãs. No Oriente Médio, as populações cristãs diminuem drasticamente, e na Europa cresce o número de ataques a igrejas e fiéis.
Muçulmanos também enfrentam perseguição
A minoria uigure na China vive sob vigilância permanente. Os Rohingya fogem da violência em Mianmar, e minorias xiitas e sufis sofrem discriminação no Afeganistão. Após o conflito de Gaza, aumentaram os crimes de ódio contra muçulmanos em várias regiões do mundo.
Outras minorias religiosas em risco
Bahá’ís, judeus e Yazidis continuam expostos a prisões, tortura e deslocamentos forçados. A Índia mantém leis anticonversão, e o Irã executa convertidos e líderes de comunidades não registradas. Após 2023, a região da OSCE registrou aumento expressivo de atos antissemitas.
América Latina enfrenta deterioração da liberdade religiosa
Na América Latina e no Caribe, cresce o controle estatal e a violência do crime organizado. O relatório aponta o autoritarismo e o “modelo cubano” como fatores de repressão em países como Nicarágua, Cuba e Venezuela. A Nicarágua é classificada como caso de perseguição devido a proibições de celebrações públicas, prisões e exílios. Cuba e Venezuela figuram entre os países onde o Estado limita atividades religiosas e instrumentaliza a fé.
Criminalidade organizada desafia a pastoral religiosa
No México e no Haiti, líderes religiosos se tornam alvos de extorsões, sequestros e assassinatos. O relatório registra treze homicídios de religiosos entre 2023 e 2024, cinco deles em território mexicano. Em algumas regiões, grupos criminosos exigem autorização para celebrações e procissões.
Debates ideológicos e migrações agravam o cenário
O alinhamento político de governos da região a ideologias de controle estatal, leia-se socialismo, comunismo e suas vertentes modernas, reforça restrições à liberdade de crença. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos gerou polêmica ao apresentar a liberdade religiosa como obstáculo a outros direitos. O êxodo causado por crises econômicas e repressões políticas em Cuba, Nicarágua e Venezuela agrava a dificuldade de prática da fé entre migrantes.
Classificação regional confirma alerta
Na América Latina e no Caribe, a Nicarágua está na categoria de perseguição. Cuba, Haiti, México e Venezuela aparecem em discriminação. Bolívia, Chile, Colômbia, El Salvador e Honduras permanecem sob observação. O relatório conclui que a liberdade religiosa global enfrenta uma das fases mais críticas das últimas décadas.
Veja abaixo o relatório resumido, em italiano



