A Confederação Israelita do Brasil (Conib) divulgou relatório que indica aumento de mais de 1.000% nos episódios de antissemitismo no país. O documento registra 1.788 denúncias formais em 2024. O crescimento começou após o início da guerra entre Israel e Hamas, na Faixa de Gaza.
Movimentos de esquerda aparecem em manifestações antissionistas
O estudo afirma que partidos e movimentos ligados à esquerda têm protagonizado protestos com mensagens antijudaicas. A Conib destacou que muitas dessas manifestações utilizam slogans que pedem o fim de Israel e apoiam o Hamas.
Entre os grupos mencionados, aparece o Partido da Causa Operária (PCO), que comercializa camisetas com mensagens pró-Hamas. A presidente da Federação Israelita do Rio Grande do Sul, Daniela Russowsky Raad, relatou protesto contra a sede da instituição.
Ela afirmou que manifestantes exibiram cartazes em apoio ao Hamas e defenderam a destruição de Israel. Segundo Daniela, eles entoaram frases como “do rio ao mar, Palestina livre já!”. Ela declarou: “Entre o rio Jordão e o mar Mediterrâneo está o único Estado judeu do mundo”.
Daniela defendeu o enfrentamento do discurso de ódio: “Manifestações antissemitas, travestidas de protestos políticos, não podem ser toleradas”. Ela pediu uma atuação clara das lideranças nacionais: “As vozes, especialmente de nossas lideranças políticas, deveriam ser de chamada pela paz, pela coexistência, pelo respeito às diferenças”.
Líderes judeus criticam declarações de políticos da esquerda
O rabino Gilberto Ventura, fundador do movimento Sinagoga Sem Fronteiras, associou falas de líderes da esquerda ao crescimento do antissemitismo. Ele criticou declarações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que comparou a ação militar israelense ao Holocausto.
Lula afirmou: “O que está acontecendo na Faixa de Gaza com o povo palestino não existe em nenhum outro momento histórico. Aliás, existiu quando Hitler resolveu matar os judeus”. Ventura também mencionou o ex-presidente do PT, José Genoino, que defendeu boicote a empresas de judeus.
A Conib reagiu à fala de Genoino com uma nota. A organização escreveu: “O boicote a judeus foi uma das primeiras medidas adotadas pelo regime nazista contra a comunidade judaica alemã, que culminou no Holocausto”.
Críticas nas redes sociais acompanham dados do relatório
Relatos de redes sociais reforçam as denúncias. Um usuário judeu comentou: “Existe sim antiguidade na esquerda… o ex-presidente do PT José Genoíno falando abertamente… boicotar empresas e comércios de judeus no Brasil”. Outro internauta afirmou: “Eles foram o inimigo na Alemanha nazista, na União Soviética, aqui no Brasil na era Vargas… é o inimigo político conveniente para qualquer extremista”.
Pesquisadores indicam que o antissemitismo histórico teve raízes religiosas e raciais. No século XX, regimes autoritários atribuíram aos judeus responsabilidade por crises econômicas e políticas. Durante a Guerra Fria, o regime soviético acusou judeus de conspirações sionistas. O discurso antissionista passou a substituir o antissemitismo clássico, com argumentos ideológicos similares.
No contexto atual, militantes da esquerda afirmam criticar apenas o governo israelense. No entanto, líderes judeus apontam que o uso de termos como “genocídio” e “apartheid” ultrapassa a crítica legítima e ativa antigos estigmas.
Exemplos recentes reforçam ligação entre esquerda e ataques antissemitas
O relatório menciona a presença de Sayid Tenório, escritor ligado a ministros do governo federal, que divulgou publicações com teor antissemita e relativizou crimes do Hamas. A imprensa registrou protestos com símbolos copiados de propaganda nazista em manifestações pró-Palestina no Rio de Janeiro.
O ambiente universitário também aparece no levantamento. Estudantes judeus relataram assédio de colegas e professores. Professores associaram a existência do Estado de Israel a conspirações internacionais.
Entidade judaica destaca que sociedade brasileira segue receptiva
Apesar do crescimento das denúncias, Gilberto Ventura afirmou que o Brasil não tem tradição antissemita. Segundo ele, a maior parte da população respeita a comunidade judaica e mantém simpatia por Israel. Ventura declarou: “A população, em sua maioria, ama Israel e compreende que os que atacam o Estado judeu também têm os cristãos como inimigos”.
Estudo propõe reflexão sobre discurso político e responsabilidade histórica
A Conib concluiu que parte dos discursos políticos atuais reativa estruturas clássicas de antissemitismo, ainda que travestidas de críticas ao governo de Israel. A organização recomendou que setores da esquerda façam autocrítica.
O relatório defendeu a rejeição de qualquer linguagem que proponha a eliminação de um povo ou que reduza a história judaica a estereótipos. A entidade sustentou que a lembrança do Holocausto deve orientar a defesa de valores democráticos e a vigilância contra qualquer forma de intolerância.
Com informações: Brasil Paralelo



