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Estudo revela aumento no número de mortes por ataque cardíaco nos Estados Unidos após pandemia

Médicos e pesquisadores identificaram um aumento consistente no número de mortes por ataque cardíaco ocorridas dentro de casa nos Estados Unidos, especialmente após a pandemia de Covid-19. Um levantamento realizado pela equipe do hospital Mass General Brigham, ligado à Universidade Harvard, apontou que, entre 2020 e 2023, a taxa de óbitos por causas cardíacas cresceu de forma contínua, mesmo com a queda nas internações hospitalares por infarto.

O estudo examinou 127.746 certidões de óbito emitidas no estado de Massachusetts entre janeiro de 2014 e julho de 2024. A média de idade dos falecidos foi de 77 anos, com predominância masculina. A equipe cruzou os dados com estimativas populacionais do Censo norte-americano entre 2014 e 2023 e projetou uma taxa esperada de mortalidade cardíaca para o período de 2020 a 2023. O resultado demonstrou aumento de 16% em 2020, 17% em 2021 e 2022 e 6% em 2023.

Queda nas internações e aumento nos óbitos

Dados hospitalares indicaram redução entre 20% e 34% nas internações por infarto desde o início da pandemia, o que sugere que muitas das mortes ocorreram fora do ambiente hospitalar. O aumento das mortes domiciliares por causas cardíacas entre 2020 e 2022 contrastou com a queda nos atendimentos emergenciais.

O diretor do setor de Pesquisa em Resultados do Massachusetts General Hospital, Dr. Jason H. Wasfy, afirmou que o padrão observado aponta para a ausência de cuidados em tempo adequado. Segundo ele, embora os hospitais tenham registrado menos casos, a elevação dos óbitos em domicílio evidencia uma lacuna no atendimento a pessoas com doenças cardíacas desde 2020.

Impactos da Covid-19 sobre o coração

Estudos recentes associam a infecção pelo coronavírus, que atingiu mais de 100 milhões de norte-americanos, a danos no coração e nos vasos sanguíneos. Pesquisas indicam que a Covid-19 pode provocar inflamações como miocardite e pericardite, que afetam diretamente o funcionamento do coração. A inflamação do músculo cardíaco altera os impulsos elétricos do órgão e pode gerar arritmias, falhas no bombeamento de sangue e, em casos raros, levar à morte.

Os pesquisadores também destacaram que algumas reações imunológicas desencadeadas por vacinas de mRNA contra a Covid-19 podem provocar efeitos semelhantes, com risco estimado em um caso a cada 200 mil aplicações.

Mudanças de comportamento e risco elevado

Outro fator associado ao aumento das mortes inclui mudanças nos hábitos da população durante a pandemia. Uma pesquisa conduzida pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) em 2020 revelou que 40% dos norte-americanos adiaram ou evitaram procurar atendimento médico no início da pandemia, enquanto 12% evitaram unidades de emergência.

O diretor do Programa de Análise Econômica Clínica do Mass General, Dr. John Hsu, alertou que o sistema de saúde sofreu impactos estruturais desde 2020 e que o comportamento dos pacientes diante das emergências também se alterou. Ele reforçou que, sem a análise das certidões de óbito, os aumentos na mortalidade cardiovascular poderiam ter passado despercebidos.

Olhar 67 - Estudo revela aumento no número de mortes por ataque cardíaco nos Estados Unidos após pandemia
Chloe Burke sofreu uma parada cardíaca aos 21 anos enquanto torcia na Universidade de Houston. Agora, ela está orientando outras pessoas sobre parada cardíaca.

Uso frequente de cannabis pode comprometer vasos sanguíneos

Outra linha de pesquisa divulgada nesta semana apontou que o consumo frequente de maconha ou de produtos comestíveis derivados da planta pode afetar o sistema cardiovascular. O estudo identificou que usuários regulares, com consumo de três vezes por semana ou mais, apresentaram redução na liberação de óxido nítrico pelas células endoteliais. Essa substância regula a dilatação dos vasos sanguíneos e sua deficiência compromete a circulação sanguínea.

Essa disfunção eleva o risco de aterosclerose, infartos e acidentes vasculares cerebrais. Embora os dados completos ainda não tenham sido divulgados, os pesquisadores indicam que o uso recreativo da substância pode contribuir para o agravamento do cenário de mortes súbitas por causas cardíacas.

Estudo ainda não detalha causas específicas

O artigo, publicado na revista JAMA Network Open, reconhece limitações no levantamento, como a ausência de dados clínicos detalhados sobre as causas diretas das mortes. O estudo recebeu financiamento parcial dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos. Ainda não há previsão para a publicação integral dos resultados.

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