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Documentário Pantanal Negro propõe novo olhar sobre o território pantaneiro

O documentário Pantanal Negro terá pré estreia na quinta feira, dia 7, durante a 10ª edição do Salão do Turismo, em Fortaleza. A produção apresenta a presença negra no Pantanal e insere no debate turístico temas ligados à memória, à ancestralidade e às comunidades afro pantaneiras. A direção artística e a produção executiva são de Thayná Cambará, idealizadora da Bela Oyá Pantanal.

O lançamento ocorre em um dos maiores encontros do turismo da América Latina e leva ao espaço do mercado turístico uma narrativa centrada nas relações humanas e culturais do Pantanal.

Filme desloca foco da paisagem para as pessoas

O documentário nasce da proposta de reposicionar o olhar sobre o Pantanal. Em vez de concentrar a narrativa na paisagem, a produção destaca moradores, povos de terreiro, comunidades quilombolas e tradições presentes na região.

“É ocupar um espaço voltado ao mercado e inserir ali uma narrativa que fala de memória, de ancestralidade e de pertencimento. Não existe destino sem história, não existe experiência sem cultura, e não existe desenvolvimento sem reconhecer quem são os sujeitos daquele território”, afirma Thayná.

Segundo a diretora, o filme amplia uma trajetória construída pela Bela Oyá Pantanal no campo do afroturismo. Ela explica que o audiovisual passou a funcionar como extensão das experiências desenvolvidas junto às comunidades.

“O filme não é um produto isolado, é parte de uma trajetória. Ele nasce das relações construídas com as comunidades ao longo dos anos e se torna uma ferramenta de educação, sensibilização e posicionamento”, diz.

Narrativa apresenta presença negra no Pantanal

Ao longo da produção, Pantanal Negro aborda aspectos históricos ligados à presença negra no Pantanal e questiona a ideia de um território sem memória social.

“Durante muito tempo, o Pantanal foi apresentado como um território vazio, sem gente, sem história. Mas o Pantanal é habitado, é vivido, é construído por pessoas”, declara Thayná.

A diretora também relaciona o documentário à própria trajetória de reconexão com tradições afro brasileiras e com práticas de espiritualidade presentes nas comunidades retratadas.

“Quando falamos de pertencimento, é impossível não olhar para o quanto essa cultura nos atravessa enquanto comunidade”, completa.

Reconhecimento fortalece projeto de afroturismo

O lançamento do documentário ocorre após Thayná receber premiação na primeira edição do Prêmio Rotas Negras, iniciativa do Ministério da Igualdade Racial. Para ela, o reconhecimento fortalece a proposta de desenvolvimento territorial ligada ao afroturismo.

“O afroturismo, para nós, não é apenas um segmento, é uma estratégia de desenvolvimento territorial. E esse reconhecimento mostra que esse caminho começa a ganhar escala, sem perder sua essência, que é o território, as pessoas e a ancestralidade”, afirma.

Produção retrata manifestações culturais de Corumbá

O documentário também apresenta manifestações culturais ligadas ao território pantaneiro, entre elas o Arraial do Banho de São João de Corumbá, reconhecido como Arraial do Banho de São João de Corumbá.

A produção evidencia práticas religiosas, relações comunitárias e manifestações culturais ligadas às comunidades de terreiro e às tradições afro pantaneiras.

“Esperamos que as pessoas entendam que existe um Pantanal que talvez nunca tenha sido apresentado a elas: um Pantanal negro, ancestral, espiritual e profundamente humano”, declara Thayná.

Ao final, a diretora resume o sentido da produção.

“Mais do que dar visibilidade, é reconhecer o quanto essa cultura nos forma, nos atravessa e nos constitui”, conclui.

Produção recebe recursos da Lei Paulo Gustavo

Pantanal Negro recebeu investimento da Lei Paulo Gustavo, por meio do Ministério da Cultura. A execução ocorreu pelo Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, através da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul. O projeto também conta com apoio da Pantanal Film Commission.

Com informações: Assessoria

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